Esperamos no XV Encontro Nacional de Gestalt-terapia e XII Congresso Brasileiro da Abordagem Gestáltica, a ser realizado nos dias 13, 14, 15 e 16 de outubro 2016, oferecer um solo fértil, nutritivo para a nossa Abordagem Gestáltica. Oportunidade para reencontrar pessoas que nos são significativas e conhecer novas; para fomentar a integração teórica-vivencial. Esperamos construir um terreno fértil para as trocas e intercâmbios teóricos, para as diversas vivências que privilegiem a intimidade e o cuidado, bem como para momentos de prosas despretensiosas, de poesia e música, de contato com a natureza e suasbelezas.

Na intenção de permitir que o XV Encontro Nacional de Gestalt-terapia ocorra com uma maior integração entre os participantes, a comissão organizadora escolheu como morada do nosso evento, e consequentemente das nossas vivências, o Hotel Oásis Atlântico. A escolha se deu em virtude de sua privilegiada localização à beira mar, em um tradicional corredor cultural, gastronômico e de lazer.

No processo inicial de construção de nosso evento, pensamos como tema uma interrogação, que pretende ser desde sempre uma provocação para que cada participante busque suas respostas à mesma. Intencionamos que tais respostas possam ser compartilhadas em conversações presenciais nutritivas para o crescimento de nossa abordagem e seus atores. Perguntamos: “Gestalt-terapia em Trans-Forma-Ação?: Ecos da Contemporaneidade Brasileira”, sugerindo que as reflexões à provocação necessitam atentar para as transformações da sociedade contemporânea em nosso país e as ressonâncias destas em nossa abordagem. Pensamos também alguns eixos temáticos que podem se inter-relacionar, a saber: 1) Clínica, Saúde Mental e Políticas Públicas; 2) Famílias e Sociedade na Contemporaneidade; 3)Violências e Vulnerabilidades Sociais; e 4) Educação, Arte e Trabalho.

 

Site do evento: www.xvencontronacionalgestalt.com.br

Abertura do evento

 

jorgeponcianoigtbJorge Ponciano participa do XV Encontro Nacional de Gestalt-terapia e XII Congresso Brasileiro da Abordagem Gestáltica. Gestalt-terapia em Transformação. Gestalt-terapia e Desenvolvimento Humano Sustentável: Ecopsicoterpaia em Ação.

 
A abertura do encontro, em Fortaleza/CE, será feita pelo Prof. Jorge Ponciano Ribeiro, Ph. D, com o tema "Gestalt-terapia e Desenvolvimento Sustentável: Ecopsicoterapia em Ação". Jorge publica com exclusividade no nosso site sua conferência de abertura e convida o IGTB para acompanhá-lo nesta tarefa.
 
 
Tema de abertura
 

TEMA DE ABERTURA : Gestalt-terapia em Trans-form-ação. Gestalt-terapia e Desenvolvimento Humano Sustentável: Ecopsicoterapia em Ação

XV Encontro Nacional de Gestalt-terapia e XII Congresso Brasileiro da Abordagem Gestáltica.

Gestalt-terapia em Trans-form-ação.

Gestalt-terapia e Desenvolvimento Humano Sustentável: Ecopsicoterapia em Ação.

Jorge Ponciano Ribeiro, Ph. D

 

 

Introdução à introdução.

Vários estudos revelam que o contato com a natureza provoca alterações no humor, melhora a capacidade de concentração e ainda pode aumentar a expectativa de vida.

Wilhelm, k.

Rev. Mente Cérebro.

Falar em Desenvolvimento Sustentável é, necessariamente, falar em Desenvolvimento e Sustentabilidade, dois conceitos que não se casam perfeitamente, porque, enquanto desenvolvimento tem mais a ver com o paradigma da dominação, que tem na Ciência Economia sua origem, a sustentabilidade tem mais a ver com o paradigma da trans-form-ação que tem na Ciência da Biologia sua origem.

Tentarei superar ou ir além desta dicotomia, fazendo a seguinte distinção: partindo do horizonte da ambientalidade ou da relação organismo/ambiente, não é possível falar de desenvolvimento e sustentabilidade sem falar de Ecologia Profunda. Ela humaniza o desenvolvimento e dá visibilidade a sustentabilidade. Neste contexto, nasce a possibilidade de um  modelo de atenção primaria à saúde que é a Ecopsicoterapia, síntese perfeita  de desenvolvimento e sustentabilidade, enquanto coloca entre ambas  a experiência da natureza como processo de humanização.

Ecologia Profunda é a teoria da  experiência e da vivência da natureza enquanto um compromisso pessoal nosso para nossa conexão amorosa com o universo, enquanto um processo interior de transformação e de pertencimento à mãe terra.

Ecopsicoterapia, a meu ver, é uma prática que se fundamenta na Ecologia Profunda e que nos permite a experiment-ação e a vivência da natureza como um processo de cura, ou seja, a natureza como remédio.

Vou caminhar, como método, com as duas ou entre as duas, fazendo da Ecologia Profunda a figura e da Ecopsicoterapia o fundo de uma proposta teórico/prática, que me mostra, entre outras hipóteses, a Gestalt-terapia como  possibilidade   de ser uma postura em desenvolvimento humano sustentável e que, em seguida, passo a apresentar  para vocês.

 Gestalt-terapia é uma metodologia centrada na trans-form-ação, porque incorpora a mobilidade das ciências do universo, da terra, da vida e do ser humano, as quais dão inteligibilidade aos processos de auto-regulação e de ajustamento criativo e criador, permitindo que a pessoa se veja, de fato, como um ser aberto à mudança, ao crescimento pessoal e às provocações da natureza, enquanto experiência da relação organiso/ambiente.  É um procedimento centrado na capacidade criativa e criadora do homem, na sua competência e não no improviso, na sua ética e não na violência.

 A ecopsicoterapia entra aqui. Sensível às ciências do universo, da terra, da vida, ela se propõe a mergulhar neste mundo possível, buscando aí respostas, ajuda, apoio, soluções que a mãe natureza nos oferece de graça, ao mesmo tempo em que nos ensina a nos conhecer, a tratar nossas dores e as suas, simplesmente, deixando-nos acontecer exatamente como também ela acontece.

Introdução.

Vivemos um duplo paradigma: O da Cosmologia da dominação: Paradigma cujo foco é a conquista e a dominação do mundo, fruto de uma visão mecanicista, determinística, materialista e racionalista de mundo. E o da Cosmologia da trans-form-ação, derivada das ciências do universo, da terra, da vida e do ser humano, cujo foco é todo o processo de sustentabilidade, que nasce de uma visão cosmogênica, isto é, do processo de evolução, ainda em curso, e que se iniciou há 13,7 bilhões de anos. (Conf. Boff, L. 2015, p.77)

Embora, às vezes, nossa postura possa ser de dominação, de conquista, o oposto da postura gestáltica de libertação, de uma epochê emocional e existencial, que tem tudo a ver com a teoria da complexidade e da incerteza, “todos os seres são interdependentes e colaboram entre si para coevoluírem, garantirem o equilíbrio de todos os fatores e sustentarem a biodiversidade”. (Boff, L. 2015, p.77).

Definindo Conceitos:

Desenvolvimento é um processo econômico, social, cultural e político abrangente, que visa ao constante melhoramento do bem-estar de cada a população e de cada indivíduo, na base da sua participação ativa, livre e significativa no desenvolvimento,     (crescimento ) e na justa distribuição dos benefícios resultantes dele. (Boff, L. 2015, P. 47)

Sustentabilidade é toda ação destinada a manter as condições energéticas, informacionais, físico-químicas que sustentam todos os seres, especialmente a Terra viva, a comunidade de vida, a sociedade e a vida humana, visando sua continuidade e ainda atender às necessidades da geração presente e das futuras, de tal forma que os bens e serviços naturais sejam mantidos e enriquecidos em sua capacidade de regeneração, reprodução e coevolução. (Boff, L. 2015, P. 107)

A sustentabilidade, (entretanto)  precisa incorporar este momento de espiritualidade cósmica, terrenal e humana, para ser completa, integral e ganhar densidade e um rosto humano. (Boff, L. 2015, P. 92)

Espiritualidade é um estado em que as três dimensões humanas, animalidade, racionalidade e ambientalidade, funcionam em absoluta harmonia e sincronicidade, de tal modo que emoção, razão e a relação organismo/ambiente transcendem seu normal funcionamento, atingindo níveis de percepção e experiência que recriam o objeto pela apreensão de suas possibilidades, intuindo a essência mais próxima da real existência desse objeto. ( ibeiro, J.P. 2009, p.180)

O espírito é tão ancestral quanto a matéria e o universo. Espírito… significa a capacidade de relação e de conexão que todos os seres entretêm entre si, gerando informações e constituindo a rede de energias que sustentam todo o universo. Este espírito cósmico, Matriz Relacional, torna-se consciente no indivíduo e por isso pode fazer historia e fundar um projeto de vida que traz a marca da natureza do espírito. (Boff,L. 2015, P.162/163)

Gestalt-terapia começa na e com a natureza. Sua inspiração e seus princípios básicos são tirados a partir de um olhar sobre seu livre funcionamento na natureza. As dinâmicas da natureza e do homem são apenas partes, embora nós possamos usar o que nós observamos para construir uma teoria do comportamento humano. Gestalt-terapia é organizada a partir de princípios de nossa estrutura biológica e do nosso funcionamento que pode ser visto no comportamento natural.  “Gestalt é tão antiga, como antigo é o próprio universo” (F.S.Perls, 1969, p. 16) porque ela é baseada nos princípios da organização que sustentam a vida. (Latner, J. em  “The Gestalt Therapy Book”, 1973, pg.-10. Pub. By Gestalt Journal)

A Gestalt-terapia, particularmente como a elaborada por Goodman, toma como ponto de partida algo que, mesmo tão óbvio, nossas ciências humanas e sociais geralmente parecem não notar: ( isto é) a troca que se dá incessantemente entre o organismo humano e seu ambiente circundante vincula  pessoa e  mundo um ao outro de maneira inextrincável,  em todas as áreas da vida. (Miller, M.V. In Gestalt-terapia, São Paulo. Summus Ed. P.24)

Bases teóricas da Ecologia Profunda. Instrumentando a Eco-psicoterapia

  • 1- Este mundo, no qual nascemos e no qual temos nossa existência, é algo vivo.

Conceitos de referência/operacionais:  Awareness, aqui-agora, ajustamento criativo, diálogo, presença.

  • 1.1- ( Este mundo)… é nosso corpo maior. A inteligência que fez com que evoluíssemos da poeira estelar e que nos interconecta com todos os seres é suficiente para a cura de nossa comunidade terrestre, desde que nos alinhemos com esse propósito. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004, p. 83)
  • 1.2- Todos os seres participam de alguma forma do espírito, por mais “inertes” que se apresentem, como uma montanha ou um lago. Eles também estão envolvidos numa incontável rede de relações, relações estas que são a manifestação do espírito. A distinção entre o espírito da Terra, do universo e da montanha e o nosso espírito não é de princípio, mas de grau. (Boff, L. 2015 P. 91)
  • 1.3- O princípio ontológico fundamental de sua leitura gestáltica (de Perls) é a crença na unidade do organismo e na unidade do campo organismo-ambiente: a “Gestalt-terapia é integralmente ontológica, pois reconhece tanto a atividade conceitual quanto a atividade biológica de Gestaltem” (Perls, 1966/1977d), por isso é que desde o início sua proposta é sempre holística. (Belmino, M.C.2014, p.54)
  • 1.4- Somos urgidos a desenvolver um sentimento de interdependência global: é um fato incontestável que todos globalmente dependemos de todos, que laços nos ligam e religam por todos os lados, que ninguém é uma estrela solitária e que no universo e na natureza tudo tem a ver com tudo em todos os momentos e em todas as circunstâncias (Bohr e Heisenberg). (Boff, L. 2015, P. 16)
  • 1.5- Numerosos ensaios se interessaram pela energia, a matéria, o espaço e o tempo. Não se trata mais de estudar tais elementos, um após o outro, mas antes, suas relações e co-evolução temporal. (Pena-Vega. A, 2003, p. 97)

Conceito: Campo, Interação, Confluência, Relação Complementar.

  • 1.6- Todo sistema, do átomo à galáxia, é uma totalidade. Isso significa que não pode ser reduzido a seus componentes. Sua natureza e capacidade distintas derivam dos relacionamentos interativos de suas partes. Esse jogo é sinérgico, gerando “propriedades emergentes” e novas possibilidades, que não podem ser previstas a partir do caráter de suas partes – assim como a natureza úmida da água não pode ser predita a partir do oxigênio e do hidrogênio antes de se combinarem, ou como a força tensora do aço excede em muito a força combinada do ferro e do níquel. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004, p. 61).
  • 1.7- Esta compreensão desperta em nós um sentimento de pertença a este todo, de parentesco com os demais seres da criação, de apreço por seu valor intrínseco pelo simples fato de existirem e de, ao existir, revelarem algo daquela Energia de Fundo que neles se manifesta. (Boff, L. 2015 P. 91).
  • 2 –Nossa verdadeira natureza é bem mais antiga e abrangente do que o Eu separado definido pelo hábitat e pela sociedade.

Conceito de referência/operacionais: figura-fundo, campo, fenômeno, parte-todo, diálogo.

  • 2.1- Somos tão intrínsecos a este mundo vivo como os rios e as arvores feitos dos mesmos e complexos fluxos de matéria, energia e mente. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004,p. 83)
  • 2.2- O que caracteriza esta nova cosmologia é o reconhecimento do valor intrínseco de cada ser e não de sua mera utilização humana, o respeito por toda a vida, a dignidade da natureza e não sua exploração, o cuidado no lugar da dominação, a espiritualidade como um dado da realidade humana e não apenas expressão de uma religião. (Boff, L. 2015, p.78).
  • 2.3- A formação de um campo tem a ver com a construção de polaridades que nascem de forças com orientações contrárias. Isso é o que produz a possibilidade de encontro de um ponto de indiferença. Esse ponto de indiferença é o ponto de busca de conservação do equilíbrio. (Belmino, M.C.2014, p.56). Conceito: Figura-fundo, Campo, Fenômeno, Parte-todo, Diálogo.
  • 2.4- A cosmovisão que ora emerge – caso sejamos ousados a ponto de experimentar suas implicações – permite-nos contemplar com novos olhos e vivenciar com novo interesse a rede da vida na qual existimos. Abre-nos para a vasta inteligência dos poderes auto-organizadores da vida, que nos trouxeram de gases intererestelares e mares primordiais. Leva-nos para uma identidade maior, na qual podemos transcender os medos com que o ego se identifica. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004, p. 56)
  • 2.5- Existe uma dimensão na pessoa que é sua singularidade irredutível, que faz com que ela seja única e irrepetível no universo e na história, no passado, no presente e no futuro. Igual a ela nunca houve, não há nem haverá. Temos a ver com uma emergência singularíssima do próprio universo. (Boff, L. 2015, P. 157)
  • 2.6- Concretamente, podemos dizer que todos os seres vivos dispõem de uma extraordinária autonomia de organização e de comportamento, que lhes permite adaptar-se a seu meio ambiente e até mesmo adaptar o meio ambiente a eles e dominá-lo. (Pena-Vega. A, 2003, p.90)
  • 2.7- Sendo assim, para Goodman, as dicotomias interno/externo, consciente/inconsciente, sujeito/mundo, etc. são fragmentações da experiência, já que “A totalidade das experiências não inclui “tudo”, mas são estruturas unificadas e definidas; e psicologicamente tudo o mais, inclusive a própria idéia de organismo e ambiente, é uma abstração ou uma construção possível, ou uma potencialidade que se dá nessa experiência como indício de outra experiência (PHG, 1951/1997,p.41)”. (Belmino, M.C.2014, p.95)
  • 3 – Nossa experiência da dor pelo mundo deriva de nossa interconexão com todos os seres, da qual também provém nosso poder de agir em seu benefício. Conceito de referência/operacionais: Contato, auto-regulação, auto-eco-organização, gestalt, aqui-agora, ajustamento criador.
  • 3.1- Quando negamos ou reprimimos nossa dor pelo mundo, ou tratamo-la como uma patologia privada, nosso poder de participação na cura do mundo diminui. Essa apatia não precisa se tornar uma condição terminal. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004, p. 83)
  • 3.2- O homem moderno está condenado à neurose. A sociedade “Carece de um discurso público honesto e não leva as pessoas a sério. Frustra a aptidão e cria estupidez. Corrompe o patriotismo ingênuo. Corrompe as artes plásticas. Destrói a ciência. Afoga o fogo animal. Desestimula as convicções religiosas de justificação e Vocação e apaga o sentimento de que há uma Criação. Você não tem honra. Você não tem comunidade. (Goodman, 1960, N.T.) (Belmino, M.C. 2014, p.144)
  • 3.3- No contato, tudo existe, coexiste e continua a existir porque há uma Energia poderosa que continuamente produz sustentabilidade e permite que a evolução continue em seu curso de expansão, de autocriação e de ascensão a formas de ser cada vez mais complexas e espirituais e concede ao ser humano poder testemunhar este processo, sentir-se parte dele, crescer e se enriquecer com ele. (Boff, L. 2015, p. 164)
  • 3.4- Antes mesmo de chegar ao fundo do conceito, digamos que a complexidade começa quando existe sistema, isto é, interações entre unidades que se tornam unidades complexas. “A complexidade sistêmica se manifesta especialmente no fato de que o todo possui qualidades e propriedades que não serão encontradas ao nível das partes tomadas isoladamente e, inversamente, as partes possuem qualidades e propriedades que desaparecem sob o efeito da coação organizacional do sistema” (Edgar Morin, 1982). Conceito: Dialética, paradoxo, liberdade, parte/todo.
  • 3.5- Todo sistema é um “holon” – ou seja, é tanto algo inteiro em si mesmo, compreendido por subsistemas, como é simultaneamente parte integral de um sistema maior. Logo, os holos formam “hierarquias aninhadas”, sistemas dentro de sistemas, circuitos dentro de circuitos, campo dentro de campos. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004, p. 62)
  • 3.6- Estes autores consideram que a autopoiesis, ou seja, a capacidade dos seres vivos de produzirem a si próprios, de se autoproduzir de maneira permanente constitui a propriedade central dos sistemas vivos. (Pena-Vega. A, 2003, p. 87). Conceito: Ajustamento Criador, relação organismo-ambiente
  • 4- O desbloqueio ocorre quando nossa dor pelo mundo é não apenas intelectualmente validada, como experienciada.

Conceitos de referência/operacionais: Awareness, Corpo, cuidado, fronteira do contato, experimento.

  • 4.1- A informação cognitiva a respeito das crises que enfrentamos, ou mesmo acerca de nossas reações psicológicas a elas, é insuficiente. Só conseguimos nos libertar de nosso medo da dor, incluindo o medo de nos entregarmos permanentemente ao desespero ou de desmoronarmos interiormente, quando nos permitimos experimentar essas emoções. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004, p. 84)
  • 4.2- A imagem da rede neural mostra um imponente conceito da teoria de sistemas: a mente não é algo separado da Natureza; ela está na Natureza. A mente permeia o mundo natural como a dimensão subjetiva dentro de todo sistema aberto, por mais primitivo que seja, diz o filósofo de sistemas Ervin Laszlo. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004, p. 63)
  • 4.3- Os eventos são entendidos através de um campo que se constitui a partir de opostos complementares. Por isso, não podemos ver nenhum fenômeno de forma isolada, mas devemos “nos manter vigilantes ao campo, contexto ou totalidade que um fenômeno está inserto”. (Perls, 1947/2002, p.63) (Belmino, M. C.2014, p..55)
  • 4.4- Desde já, podemos enunciar a ideia segundo a qual a complexidade, a irreversibilidade, a desordem e a auto-eco-organização constituem as categorias de um novo paradigma na ecologia. (Pena-Vega. A, 2003, p.42/43).
  • 4.5- E mais, podemos dizer que “o homem, como entidade sociobiológica, é parte integrante do processo de evolução e está no centro desse processo de aprendizagem” (Enzo Tiezzi, 1992). (Pena-Vega. A, 2003, p. 43)
  • 4.6- Organização viva é a aceitação de uma concepção que liga estreitamente ordem e desordem, isto é, que faz da vida um sistema de reorganização permanente fundado na dialógica da complexidade. (Pena-Vega. A, 2003, p. 29). Conceito: Figura-fundo – dialética, relação complementa.
  • 5- Quando nos reconectamos com a vida, suportando voluntariamente nossa dor por ela, a mente recupera sua clareza natural.
  • Conceitos de referência/operacionais: Contato, fenômeno, auto-eco-regulação, corpo, totalidade.
  • 5.1- Quando experimentamos nossa interconexão com a comunidade da Terra, a ansiedade mental surge para ajustar essa experiência com o novo pensamento paradigmático.  Conceitos que focalizam esse relacionamento ficam mais nítidos. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004, p. 84)
  • 5.2- Os cientistas descobriram que esses todos, sejam células, corpos, ecossistemas ou o planeta em si, não são apenas montes de peças distintas, mas são “sistemas” dinamicamente organizados e complexamente equilibrados, interdependentes em cada movimento, cada função, cada troca de energia e de informação. Viram que cada elemento faz parte de um padrão mais amplo, um padrão que liga e se desenvolve por meio de princípios discerníveis. A identificação desses princípios deu origem à teoria geral dos sistemas vivos. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004, p..60/61)
  • 5.3- É preciso destacar desta primeira abordagem que a contribuição fundamental da nova ciência da ecologia é a teoria da auto-organização do ser vivo e dos princípios da complexidade, indeterminação, desordem, ordem, acaso das quais brotam as novas unidades de interação entre Vida ↔ Homem ↔ Sociedade. (Pena-Vega. A, 2003, p.34/35). Conceito: Contato, corpo, gestalt, homoestase, polaridade.
  • 5.4- Dito de outra forma, o conhecimento não pode comportar em si mesmo a ideia de certeza e/ou de veracidade, mesmo sendo um conhecimento totalmente adquirido, sem colocar em questão os princípios organizadores desse conhecimento. (Pena-Vega. A, 2003, p. 55)
  • 5.5- O campo é a célula integrativa da experiência. A experiência sempre se faz a partir da totalidade que a constitui, ou seja, são configurações totais, que emergem no campo no momento presente. Pensar qualquer ação humana sem entendê-la a partir de uma abordagem de campo será sempre incompleto. Ou seja, “em toda e qualquer investigação biológica, psicológica ou sociológica temos de partir da interação entre o organismo e o ambiente” (PHG, 1951/1997,p.42)”. (Belmino, M. C. 2014, p.96)
  • 5.6- Em suma, pode-se dizer que a palavra “sistema” designa uma rede de elementos interagindo uns sobre os outros, enquanto o adjetivo “ecologia” implica que essas interações concernem, em particular, aos seres vivos, considerados em vários níveis de integração possível: o indivíduo, a população, o povoamento e o ecossistema”. (Pena-Vega. A, 2003, p. 66). Conceito: Espaço Vital, Organismo/Ambiente.
  • 6 -A experiência da reconexão com a comunidade da Terra gera o desejo de agir em seu benefício.

Conceitos de referência/operacionais: Relação complementar, cuidado, ajustamento criativo, necessidade, diálogo.

Escolhendo o caminho terapêutico ou o da espiritualidade ou reconhecendo que somos escolhidos pelo caminho, damos o primeiro passo para uma maior awareness ou para uma habilidade de percepção do outro. Fazendo isto, eu creio que damos um passo a mais na direção do Divino (qualquer que seja este conceito). ( Toman, S. M. (2005, pg 148)  (Tradução do original).

  • 6.1- À medida que os poderes de autocura da Terra se assentam em nós, sentimo-nos convocados a participar da Grande Virada. Para que esses poderes de autocura operem de modo eficiente, devemos confiar neles e utilizá-los. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004, p. 84)
  • 6.2- O movimento pela vida simples ou simplicidade voluntária, movimento que liberta as pessoas de padrões de consumo que não refletem suas necessidades, permite-lhes encontrar meios mais frugais e satisfatórios de se conectarem com seu mundo. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004, p. 61)
  • 6.3- Se uma teoria se presta a fundar uma concepção de natureza humana, por mais que seu propósito seja terapêutico, ali está presente uma teoria política. Na verdade, se a psicoterapia é a terapêutica da neurose individual, a política é a terapêutica da sociedade (PHG, 1951/1997). (Belmino, M. C. 2014, p.108)
  • 6.4- Sistemas abertos não só mantêm seu equilíbrio em meio ao fluxo, como sua complexidade evolui. Quando persistem desafios apresentados por seu meio ambiente, eles se desmontam ou se adaptam, reorganizando-se em torno de novas normas, capazes de reagir melhor. (Macy, J e Brown, M, Y, 2004, p.62).
  • 6.5- Não obstantes estes impasses, cremos que, ao agravar-se, dia a dia, o mal-estar cultural e ecológico, vai prevalecer o senso de urgência, que porá em marcha a quebra do paradigma de dominação e de conquista atual em favor do paradigma do cuidado e da responsabilidade coletiva, este sim, capaz de devolver vitalidade à terra e assegurar um futuro melhor para o mundo globalizado. (Boff, L. 2015, p.166)
  • 6.6- Ora, o que enfatizamos é que o homem está na natureza e a natureza está no homem (auto-eco-organização), ou seja, participando contraditoriamente de um processo contínuo e descontínuo, ele assume o paradoxo de ser, ao mesmo tempo, elemento, fragmento e totalidade de um ecossistema complexo. Notemos que neste postulado há um princípio de incertezas relacionado com a realidade Homem/Natureza/Natureza/Homem. (Pena-Vega. A, 2003, p. 93)
  • Conceito: Ser-no-mundo, contato, polaridade, paradoxo
  • 6.7- A partir desse fundamento fenomenológico de investigação, a perspectiva clínica então formada jamais poderá conceber uma teoria da personalidade, uma teoria do desenvolvimento e uma psicopatologia como teorias estáticas e não processuais, pois elas se tornam completamente contrárias ao escopo teórico e metodológico da abordagem. (Belmino, M. C. 2014, p.97)
  • 6.8- A ética é inseparável do conhecimento da complexidade e esta conduz à compreensão. Reflexão que, finalmente, nos conduzirá à ética da solidariedade, condição necessária para uma nova noção de fraternidade. (Pena-Vega. A, 2003, p. 99)
  • Conceito: Tempo-espaço, contato, campo, relação complementar.
  • 9- Enfim, nesta dialética, a consciência ecológica é antes de qualquer coisa o lugar onde poderemos construir uma “ecoética”, ao mesmo tempo planetária e solidária. (Pena-Vega. A, 2003, p. 99)
  • Conceito: Presença, Holismo, Ecologia.

CONCLUINDO.

  • A Gestalt-terapia é uma psicoterapia que, sobretudo através do conceito de campo e do método fenomenológico, permite a experiência e a vivência de um processo de desenvolvimento humano sustentável, porque fundamentada no humano, no social, no ético, no ambiental e no espiritual.
  • No humano, porque a Gestalt-terapia é organizada a partir de princípios de nossa estrutura biológica e do nosso funcionamento que pode ser visto no comportamento natural. (Latner, J, 1973, p.10)
  • No social, porque “é fundamental ressaltar que a dimensão social não se constitui às custas do desenvolvimento civilizatório. O animal (inclusive humano) é naturalmente social e a relação entre pessoas sempre precedeu à linguagem e ao desenvolvimento de ferramentas. (Col. PHG. 1951/1997, p.129) – O organismo/ambiente humano naturalmente não é apenas  físico, mas social. Desse modo, em qualquer estudo de crenças do homem, tais como fisiologia humana, psicologia ou psicoterapia, temos de falar de um campo no qual interagem pelo menos fatores socioculturais, animais e físicos. (PHG, 1985/1977, p. 43)
  • Na ética. Goodman acredita que é na emergência de uma figura vigorosa e da integração da natureza que há a saída para os conflitos, sejam biológicos ou sociais. Este é o locus da ética proposto por Goodman, implícito em sua política e psicoterapia: a capacidade de cura do organismo e da sociedade a partir da confiança no ajustamento criador.  (Belmino, M. C. 2014, p.141)
  • É o contato humano nas pequenas comunidades que pode de fato criar uma cumplicidade e boa relação entre as pessoas. (Belmino sobre Goodman, p. 145)
  • No ambiental: Todo contato é ajustamento criativo do organismo e ambiente PHG, 145/1997, p. 45. (Belmino, M. C. 2014, p.100)
  • O processo de contatar o campo organismo/ambiente é chamado ajustamento criativo ou ajustamento curador.  (Belmino, M. C. 2014, p.100).

 – A definição de um animal implica o seu ambiente: não tem sentido definir alguém que respira sem o ar, alguém que caminha sem gravidade e chão, alguém irascível sem obstáculos e assim por diante para cada função animal. (PHG, 1951/1977, pp.42 e 69)

No Espiritual: O processo terapêutico e  a busca da espiritualidade visam a mesma compreensão, a mesma procura e têm a mesma finalidade: conduzir a pessoa humana a uma relação Eu-Tu consigo mesma, em que desapareçam os adjetivos coisificantes e emerja a beleza da contemplação de se ser pessoa.

(Ribeiro, J.P. 2009, pg. 183)

Tanto a Gestalt-terapia quanto as práticas espirituais mostram uma confiança na natureza e expressam isto na confiança no organismo da pessoa e na reverência pelos processos naturais do organismo. (Toman, S. M. (2005) p.139)

De onde emerge uma plena confiança na vida? As práticas da Gestalt e da espiritualidade afirmam claramente que isto emerge no aqui-agora. Na prática da Gestalt-terapia e da espiritualidade através de na experiência imediata o cliente é guiado à experiência de auto-descoberta no aqui-agora. (Toman, S. M. (2005) P.148) (Tradução do original).

 

 

 

Intuitivamente sabemos- percebemos, sentimos- que a proximidade com a terra, água corrente, árvores e outras plantas faz bem ao corpo e a alma.

Leal, C.

Rev. Mente  Cérebro

 

 

 

Referências: ( 66)
Belmino, M.C. (2014) Fritz Perls e Paul Goodman: Duas faces da Gestalt Terapia. Fortaleza: Premius.
Boff, L. (2015) Sustentabilidade: O que é – O que não é. Petrópolis: Ed. Vozes Ltda.
Ingersoll, R. E. (2005). Gestalt Therapy and Spirituality. In Woldt, A. L., & Toman, S. M. (2005) Gestalt Therapy: History, Theory and Practice. Thousand Oaks, California: Sage.
Latner, J. (1972) The Gestalt Therapy Book. A Publication Of The Gestalt Journal.
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